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Os sacrifícios!

Os sacrifícios que hoje temos que fazer, aos olhos de Miguel Esteves Cardoso!

” Compensa Sacrificar

Para gastar menos dinheiro não se pode ter princípios. O mal do português é ter princípios a mais. Como tem mais medo de passar por parvo do que de passar mal, é incapaz de pagar mais por uma coisa perto dele do que pagar menos num lugar que fica mais longe. Se lhe dissermos que gasta seis euros em gasolina (e uma hora de vida) para comprar gasolina que lhe custa menos cinco euros, diz logo que sabe isso perfeitamente mas que é uma questão de princípio: o ladrão do Silva, que é o gasolineiro da vizinhança, não se há-de “ficar a rir”. Da carteira dele, Santos, nem um cêntimo há-de embolsar. “Ele que me veja a passar, em direcção à estação de gasolina de Cudemunde, e que fique sabendo que não me importo de gastar mais um bocadinho, desde que pague o menos possível e não ande a encher o cu a quem cobra o que lhe apetece”.

É esta mentalidade que a haveria de combater. Os portugueses tradicionais, velhos e pobres, que não têm carro nem gastam dinheiro em transportes, compram as coisas na loja (ou, em caso de grandes luxos, nas lojas) que fica(m) ao pé deles.

Sai um bocadinho mais caro — porque compram as coisas mais caras — mas, em contrapartida, poupa-se uma fortuna em tempo, gasolina, estradas e manutenção de um carro. Ecologica e economicamente, faz mais sentido ir a pé e comprar aquilo que fica mais à mão. Custe o que custar.

O que temos mesmo de sacrificar são os nossos princípios e as nossas peneiras. Saem caras.”

Miguel Esteves Cardo, in Público Lisboa – 13 de setembro 2012